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Isolante para Telhado
13/06/2005

Reportagem Revista Contrução & Mercado- Ano 2004

Mantas com uma ou duas faces de alumínio melhoram o conforto térmico da construção e protegem contra infiltrações.
Bianca Antunes.


Isolar a cobertura de uma edificação traz sempre benefícios, já que a carga mais forte de calor na maioria das casas ou nas indústrias, vem pela cobertura. “Pelas medições de campo sabemos que as telhas cerâmicas podem atingir temperatura de até 70 C e, nesse estado, irradiam muito calor”, diz Alberto Hernandez da Faculdade de Engenharia Mecânica da Poli – USP.
Tão logo as subcoberturas chegaram ao País, surgiram entre técnicos e especificadores, duvidas ainda não totalmente dirimidas. Uma delas é conceitual: afinal, o que pode ser considerado subcobertura ? “Uma das formas é definir suas funções, e as principais são impermeabilizar e proporcionar isolamento térmico”, explica Neide Sato, da Poli – UPS. Segundo essa definição, fica mais fácil qualificar os produtos existentes e saber como devem ser para oferecer boa qualidade. “Para coletar água, basta ela ser impermeável. Mas se for para isolar, precisa possuir características mais complexas,como reduzir a troca de calor por irradiação”, conclui Neide.
Esse isolamento é conseguido por uma lamina de alumínio, o foil, que funciona como uma barreira radiante: quando voltado para cima, reflete o calor que chega, se voltado para baixo, não emite para o ambiente. “A propriedade que mede esse poder emitir calor chama-se emissividade. Quando mais baixa a emissividade, mais reflete calor. Um produto com emissividade de 10% só emite isso de calor. Um plástico preto emite 95%”, diz Fúlvio Vittorini, chefe do Agrupamento de Componentes e Sistemas Construtivo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

Produto não normatizado.
Não há normas brasileiras, o que faz com que fabricantes e instaladores recorram a especificações internacionais. “A ASTM, norma norte –americana, registra que a emissividade do foil de alumínio deve ser menor que 0,1, para que a subcobertura seja considerada um isolante térmico efetivo. Ou seja: vai emitir até 10% da radiacão recebida – ou vai refletir 90%”, explica Neide.
A falta de normas brasileiras dificulta a qualificação desses produtos.”Nós estamos discutindo e tentando redigir as normas, mas ainda não chegamos ao ponto em que deveriam estar”, conta Vittorino. Enquanto isso, alguns fabricantes recorrem ao IPT para testar seus produtos. “A maior parte atendeu com tranqüilidade às normas internacionais”, garante.
Muitas subcoberturas chegaram ao País importadas. “Apesar de o clima no Brasil ser muito adequado para a utilização desse produto, pouca gente aqui conhecia”. Explica Marta Hoffman, gerente de marketing da GIB.
Aos poucos, graças a pesquisas e certas adaptações ao mercado brasileiro, os produtos sofreram algumas modificações. “Vimos que não precisávamos do que vinha de fora, porque as condições climáticas brasileiras não são as mesmas que de fora. Montamos a fábrica aqui justamente para desenvolver um produto adequado ao mercado brasileiro”, explica Marta.
Alias , reformular os produtos para que sejam bem recebidos no mercado brasileiro é pratica mais do que comum nessa área. O Tyvec, da Du Pont, conhecido por sua capacidade “respiratória”, ou seja, de deixar passar vapor de água ao mesmo tempo em que é impermeável, surgiu sem nenhum dos lados aluminizados. “Esse produto é adequado para clima frio, pois há maior produção de vapor dentro de casa, que pode atravessar o Tyvec e ser conduzido para fora.Também é útil, por exemplo, em indústria que geram muito vapor”, explica Vittorino. Há dois anos, a Du Pont lançou o Tyvec com alumínio em uma das faces. “Vimos que a barreira térmica era uma necessidade do mercado e, assim, também podemos competir”, conta Julio Domingues, gerente de negócio para América Latina da Du Pont. “Desenvolvemos um processo especial para aluminizar o Tyvec, para que não perdesse a permeabilidade ao ar seu principal diferencial no mercado”, conta.
Investir em tecnologia é a palavra – chave. A gama de produtos disponíveis é pequena e não se conhecem também todas as peculiaridades regionais que definem


Normas internacionais de referencia.

ASTM C727 – Practice for use of reflective insulation in building constructions. American Society for Testing and Materials.
ASTM C1158 – Standard Practice for Installation and Use of Radiant Barrier Systems (RBS) in Building Construction. American Society for Testing and Materials.
ASTM C1313 – Standard Specification for Sheet Radiant Barriers for Building Construction Applications. American Society for Testing and Materials.
ASTM C1224 – Standard  Specification for Reflective Insulation for Building Applications. American Society for Testing and Materials.
As 1903 – Reflective foil laminate. Standards Australia.
SANS 1381 – Materials for thermal insulation of building. Par 4: Reflective foil laminates (rolls, sheets and sections). Standards South Africa.

Benefício na conta de energia
Por evitar perda de temperatura, as subcobertura ajudam a economizar energia, principalmente em ambientes climatizados. Se uma casa tem condicionador de ar, por exemplo, com a diminuição da entrada de calor, o aparelho será menos exigido. Se funcionar com timer, o condicionador pode
Ficar menos tempo ligado, ou em uma temperatura mais baixa. O mesmo acontece para casas com aquecimento – como se perde pouco calor de dentro, o aquecedor é menos solicitado.
“O uso ou não de uma cobertura adequada pode diminuir até 20% o consumo do ar – condicionado”, explica Alberto Hernandez. “Em São Paulo, por exemplo, se as edificações tivessem coberturas bem – projetada e bem – executada, os usuários não precisariam usar o ar – condicionado na maior parte do ano”.

Patologias.
“A delaminacão ou descolamento do substrato é a patologia mais comum”, diz Neide. Isso depende tanto da composição do produto quanto do processo de fabricação para se aplicar o foil ao substrato. “Se o produto não apresenta esse problema e a aplicação correta, a possibilidade de ocorrer patologia é bastante pequena”, conclui Neide.
Pesquisar sobre como o produto é fabricado e quais as suas propriedades é um primeiro passo para adquiri-lo e evitar problemas futuros. Outro aspecto importante é a qualidade do foil. “Alguns produtos parecem ter esse alumínio, mas pode ser, na verdade, um plásticos brilhante. Essa suposta subcobertura não tem propriedade emissivas de calor. Portanto, não basta der brilhante”, alerta Neide. Para funcionar com eficácia é necessário que a camada de alumínio não tenha nada a recobrindo ou, se tiver, que não prejudique seu desempenho – com irradiação de calor depende da última camada, se o alumínio estiver coberto por plástico, por exemplo, acaba perdendo a característica de barreira radiante.

Check list.
As subcoberturas deve ter, pelo menos, um dos lados aluminizados, para que seja uma barreira radiante.
Sempre verificar dados técnicos do produtos: a emissividade de uma barreira térmica refletiva deve ser menor ou igual a 10% .

O produto deve ser boa resistência mecânica, para que não rasgue com facilidade.
Em casos em que é necessário um isolamento maior, usa – se subcobertura com dois lados aluminizados.
Alguns produtos tem proteção contra agente externos, como poluentes ambientais, maresia e até para prevenção do contato com o cimento, durante a execução da obra.
Há diferentes maneiras de instalar, dependendo do tipo de produto e de telhado.
A fita adesiva aluminizada, aplicada na sobreposição das mantas, garante estanqueidade ao sistema .
Deve haver sempre um espaço abaixo e cima da manta. O lado aluminizado nunca pode estar grudado no forro ou no telhado.

Como funciona ?
O foil de alumínio pode estar ligado a diversos materiais que compõem o substrato das subcoberturas, e que variam de acordo com o fabricante – alguns utilizam apenas um reforço para foil de alumínio, outros usam substratos como plásticos bolha, polietileno ou lã de vidro. “O substrato normalmente só serve como esforço para o alumínio, mas o plástico bolha, por exemplo, pode aumentar a resistência térmica. Nesse caso, é preciso avaliar custo e beneficio”, diz Neide. Na gama de produto oferecidos ainda há aqueles com apenas uma face aluminizada e outros com alumínio dos dois lados – os bi-aluminizados.
A maneira de barrar o calor difere se o produto tem apenas uma ou as duas faces com foil. “Se apenas um dos lados é aluminizados, esse lado deverá ficar para baixo. A manta recebe calor do telhado e o absorve pela face superior. Como a face voltada para baixo é de alumínio, não erradia esse calor para o ambiente”, explica Vittorino. “Nas mantas bi aluminizadas, o calor do telhado bate e é devolvido. Estes tem um bem benefício duplo: reflete o calor de volta para baixo o telhado, e , um pouco do que é absorvido não vai ser irradiado para baixo”, conclui. No inverno, segundo Vittorino, a subcobertura mantém o aquecimento da casa, pois não deixa que o calor produzido durante o dia saia.

Maria Akutsu

Produto eficiente.       
As pesquisas feitas até agora mostraram que esse produto é eficiente para melhorar a condições de conforto térmico ou reduzir as cargas térmicas de ambientes com ar – condicionado. Foram feitas também comparações com isolantes térmicos do tipo resistivo, como a de lã de vidro ou de rocha, poliestireno expandido ou extrudado e poliuretano, que funcionam como isolante térmicos por condução. Os resultados são bons. Seria ótimo se as industrias conseguissem tornar a face aluminizada anticorrosiva, mas sem aumentar a emissividade de calor. Talvez isso seja possível.

Como escolher a subcobertura mais adequada para cada caso ?
Para se obter o melhor desempenho térmico deve –se especificar mantas cuja emissividade da superfície seja baixa, em torno de 10%. O segundo critério é a resistência mecânica, natureza e composição dos elementos estruturais, tendo em vista a durabilidade. Deve – se verificar também formas de fixação, pela facilidade de instalação e durabilidade dos dispositivos. Alguns fabricantes fornecem um manual de instalação que deve ser seguido passo a passo.

Quais cuidados o aplicador deve ter para que a subcobertura apresente máxima eficiência ? 
Deixa sempre um espaço abaixo e acima da manta, pois ela funciona como barreira á radiacão térmica. Se apenas uma das faces for aluminizada , deixa –lá voltada para baixo. Nas sobreposições das folhas proceder de forma que possíveis infiltrações de água possam escoar naturalmente – por exemplo, não colocar folha que vai ficar em um nível inferior em cima da folha anterior.

Quais as patologias mais comuns e mais graves desse componentes construtivo ?
Dependo do produto. Mantas com papel Kraft no interior podem se deteriorar com umidade, o que se evita em boa medida na instalação. A corrosão da face aluminizada da manta também é uma patologia grave e ocorre com freqüência em ambientes de atmosfera agressiva. Nesse casos é preciso prever alguma forma de proteção.

Debate

Como o mercado brasileiro está recebendo a subcobertura ?
 Marta Hoffman – Há pouco anos não se relacionava subcobertura a foil , a isolamento térmico e a conforto ambiental. Foi necessário uma catequização do mercado para convencer as pessoas que aquele plástico preto que era utilizado no telhado das casas não estava protegendo nada. Aquilo serve apenas para impermeabilizar o telhado, e muito mal. Hoje as pessoas já sabem diferenciar melhor uma subcobertura de outros produtos.
 Fernando Cottar – Na Europa, as subcoberturas são usadas há 110 anos. No Brasil, há menos de dez. Existe uma diferença de tecnologia, de conceito, de informação. Nós estamos aprendendo muito com isso para chegar até o consumidor.

É um componente fundamentalmente voltado para residências e industria?
  Marta – Sabíamos desde o inicio que o mercado potencial e que poderia adquirir cultura de uso era o residencial. O histórico da subcobertura mostra que antes de chegar ao mercado industrial e técnico, já estava no varejo. Esse é o segmento por excelência. As soluções para industrias e grandes coberturas são mais variadas, embora o foil seja compatível e participe massivamente também dessas obras.
 Cottar – A Isover tem produtos específicos para cada uso. Temos um grupo de especificadores que trabalha no mercado industrial, e outro no mercado residencial, junto com arquitetos, instaladores e projetistas. Quando a subcobertura é comprada em lojas de varejo, o consumidor recebe da Isover um manual de instalação. Temos também um 0800, com uma pessoa dedicada exclusivamente para isso, que até á obra para ajudar na instalação.

Há como mostrar especificações técnicas para que o consumidor saiba que está comprando ?
 Cottar – É possível estimar qual a resistência térmica da manta em função do sistema construtivo do telhado e  quantos graus de temperatura pode reduzir do ambiente em determinadas condições. Não se pode afirmar com certeza , claro, um valor preciso, mas temos um trabalho feito pela Isover na Franca mostrando que a resistência térmica de um telhado de fibrocimento é de 0.22m C/watt sem subcobertura e de 1 m C/watt com manta.
 Marta – Eu ainda não consigo ver o consumidor absolutamente conscientizado da necessidade de saber o valor de resistência térmica, da emissividade, pois se trata de uma coisa complexa. Não adianta dizer que o produto possui “x” resistência térmica ou reflete “y” . Esse suporte mais complexo existe, mas para obras de grandes porte, cujas determinações e projeto exigem valores reais. Nós possuímos esses valores com base em simulações em obras reais.

Como separar bons e maus fornecedores ?
Fúlvio Vittorino – Os certificados técnicos, como a Referencia Técnica IPT, e os certificados de qualidade do sistema de produção das empresas são um primeiro passo. O enfoque deve ser dado ao desempenho do produto. Faltam ainda normas. Só temos referencia internacionais. Subcobertura é um ótimo
exemplo de um produto inovador que já conquistou mercado e que agora carece normas.

Existe ponto de partida para fazer essas normas ?
Marta – Nós já usamos as normas americanas, na falta de uma brasileira. A norte – americana ASTM tem uma normatizacão muito criteriosa para isolantes refletivos. Mas não dá para importar todas, mesmo porque os sistemas construtivos são diferentes. O crescimento natural de mercado vai fazer com que empresas realmente estejam envolvidas se juntem e criem uma norma. Mas não é simples, leva tempo. E a comercialização não pode esperar. O que podemos testar o produto.

A abordagem incial desse mercado foi mercado?
 Vittorino – Em linhas gerais, sim, as indústrias seguiram um caminho técnico e o mercado está crescendo. Quando a coisa vai bem, todos querem produzir. Diversas empresas fazem testes sérios e seguem padrões de qualidade.

Há variedade de produtos no mercado brasileiro? Estão previstos lançamentos?
Marta – Nós vamos trazer novidades para o mercado neste mês. Fizemos investimento e desenvolvemos uma série de estrutura para caminhar cada vez mais para aprimoramento. Ninguém vai ficar acomodado. Nós trabalhamos o produto brasileiro.
 Cottar – Não se faz produto novo, mas fazemos algumas correções e ajustes.

Que argumentos as empresas estão utilizando para popularizar as subcoberturas?
 Cottar – Nós estamos reforçando bastante as vantagens do conforto ambiental, tratamento térmico e acústico, em função das propriedades que lã de vidro oferece. A impermebilizacão também. Mas nosso produto é um dos mais caros do mercado, pois é o único que agrega essas três propriedades. O consumidor final as vezes compra o mais barato, pois esquece de olhar outros itens que influenciam o conforto da casa, como o consumo de energia elétrica, temperatura interna da casa, uma série de fatores de qualidade de vida. Nosso argumento é simples: qualidade de vida.
 Marta – Alem do ganho de qualidade de vida, mencionamos também o aumento da durabilidade do telhado, porque a estrutura fica protegida. O alumínio, quando bem instalado, protege o madeiramento. O consumidor tende a não valorizar o conforto, mas quando tem um problema, muda de atitude.

Que dica vocês dariam ao arquiteto, engenheiro e ao aplicador do produto ?
 Cottar – Primeiro, conhecer a necessidade do cliente. Deve saber se o cliente. Deve saber se o cliente vai climatizar a casa toda e qual as características climáticas do local, se o cliente mora em Gramado ou em praia Rio Grande do Norte. Com essas informações, chega –se à cobertura ideal.
Marta – Se querem executar um telhado que seja durável e que proporcione conforto, tanto no verão quanto no inverno, a subcobertura é muito importante, indispensável. Alem disso, eles devem pensar em fatores como economia de energia, proteção contra umidade e infiltrações. Não dá para imaginar, hoje, um telhado sem uma boa subcobertura.


 
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